Nicinha
Eram duas irmãs que, como observou ítalo,
precisavam de um irmão mais velho. Ao
passar pela pracinha de esportes, ele logo percebeu esse aspecto de carência
estampado nos mínimos gestos, nos gritos, nas premiações do jogo “fulorô de
rodeiras”, quando a mais velha delas conseguiu enlaçar uma carteira de cigarros
Texas e saiu vibrando:
- Quer trocar, menino? - erguia o maço e
perguntava, ignorando o alheamento geral ao redor, enquanto no alto-falante do
parque tocava Tim Maia.
- Não. Imagine! - respondeu apalpando o
sabonete que tirara. - Mas troque por mais argolas, besta, e tenta acertar no
frasco de desodorante – completou Italo.
Deu
essa dica a ela para que ela ficasse mais à vontade na brincadeira. Ela recebeu
umas doze argolas pelo Texas. Enfiou-as no braço, deu duas a irmãzinha e
separou outras duas:
-
Tome uma pra você tentar a sorte – ofereceu-lhe de bom grado, como se fosse um
convite para lhe fazer companhia.
-
Painho já chegou, Laura? – dirigiu-se à pequena, que, entretida, sacudiu a
cabeça.
-
Então, terminado aqui, a gente vai embora – disse a mais velha.
-
Mas fala em casa que demorou na saída da
igreja – sugeriu Italo.
Ela
sorriu com a ideia engraçada.
-
Você ainda não jogou a sua e ... só faltam três para acabar.
-
Esperando terminar pra jogar a minha vez, pra tentar a minha sorte, como você
disse.
Ela deu sua última cartada e se afastou para
dar espaço ao novo companheiro, que a surpreendeu:
-
Vai ser um presente pra você...
-
Nicinha, me chamo Nicinha – disse a garotinha de trança e short azul.
-
Atenção! O garoto aqui, pessoal, vai lançar a sua sorte – declarou Nicinha,
chamando o menino com um gesto: - Vem!
A
maior “cagada” aconteceu quando Ítalo se aproximou do cercadinho, fez a pose
e... zupt: a argolinha atingiu o frasco de desodorante, percorreu a mesa e
balançou ao lado de um frasco de Alfazema, provocando os gritos das
torcedorazinhas, que se abraçaram.