Blog Nei George Prado
segunda-feira, 30 de março de 2026
sexta-feira, 20 de março de 2026
A lista
Ao lidar com fantasmas das escritas, ele
se via fazendo anotações de nomes aleatórios como Alaine, Sandrita, Ednei e Ana
Francisca, em busca de um título: umas primas.
Não seriam mais do que primas, como tantas outras, se não fosse um
pequeno detalhe: o desejo de ficar abraçado com elas para sempre. E assim caminhar pelos campos. Muito forte
dizer isso, mas a verdade era para ser dita. Sorriso tímido, companheira, nunca
Alaine iria deixar-lhe de lado. Sandrita, com seu abraço volumoso e sensual.
Ednei, o que a enxuta escondia, enrolada na toalha? Naquela alvura de pele e
firmeza no olhar, de que se escapulia a arredia Ana Francisca?
-
Em quaisquer desses braços eu cairia e me encontraria – dizia ele aos quatro
ventos.
- Qual dessas você elegeria a predileta,
Ítalo? – perguntava-se nessa ocasião de prosa.
Mas o cuidado delas por Ítalo seria o
ponto em comum entre as primas.
- Vou colocá-las na minha lista de pessoas
que eu gosto de graça. Acho que não tem nenhum problema.
- Quem está nessa lista, Ítalo? Você me
falou, faz tempo, que de atriz só tinha Lídia Brondi, e agora? – perguntava a
filha de Ítalo.
- Ih, relacionei muita gente.
- Seus filhos? – insistia a filha.
- Nenhum parente próximo, além de duas
sobrinhas: Beatriz e Angélica.
Todos concordaram sacudindo a cabeça:
- Realmente, as meninas são de primeira. Mas o senhor as vê tão pouco! Quem mais?
- Nenhuma pessoa que vocês acham
especiais. Pessoas simples... como Marcão de seu Sizínio e Zéu, um taxista, por
exemplo.
- Qual é o caso de Marcão de seu Sizínio?
- Não foi amor à primeira vista como
aconteceu com seus irmãos Orlando, César e Marivaldo, todos mencionados na
minha lista. Pensei em colocar o nome de um amigo de infância, Orlando, ao
mesmo tempo em que lembrava de César, que o substituía no companheirismo diário
após sua mudança. Também considerava o mais novo, Marivaldo, para quem
emprestava livros e era muito gente boa.
- Sim, e Marcão?
- Marcão é irmão deles, mas apenas por
parte paterna. Depois de cobrar dele uma dívida, fui descobrindo quem ele
realmente era, coitado. Ele
comercializava produtos paraguaios e se comprometeu a devolver um valor, pois a
peça que solicitei não funcionou. Acabei por conhecê-lo melhor e nem pensei em receber
nada. É um grande amigo... faz qualquer coisa por você, até mesmo morrer. Já
havia adicionado três, então foi fácil incluir o Marcão.
- E Zéu?
- Zéu, nós nos encontramos em um bar. Eu
percebia que tudo que eu dizia concordava. Cheguei até a ter a ideia de mudar
de bar e propus um nome que Zéu já havia considerado. O jogo do Vasco estava
sendo exibido na TV. Achei os palpites que ele dava interessantes, até
descobrir que ele também era vascaíno. Concordou com as cervejas que
eu solicitava e com o momento de partir. Sempre que procurado, ele me servia.
Disse de Elton Melo, Rubão e Fabinho,
todos músicos, e, pelo menos, ninguém tinha nada contra, mas não sabiam.
- Tem o nome aqui de Aroldo Jr, quem é?
- Um locutor de rádio dos programas da
madrugada que eu acompanhava. Tinha uma voz amiga que passava tranquilidade do
dia a dia.
- Você incluiu também a filha de um cantor
famoso! – inquietou-se Clara.
Ítalo sorriu e disse fechando os olhos;
- Você acompanhou o sofrimento dessa menina? Ao final, acompanhada por um ukulelê, Areta Marcos interpreta um dos hits do pai, vencedor do Prêmio Roquete Pinto do Estado da Guanabara em 1970!
- Mas o que você viu naquela menina?
- Vocês podem considerar piegas, mas eu
diria que é de uma fofura imensa.
- Você incluiu na lista até a
apresentadora Mara Maravilha, como se explica?
- Meu lado bobo de menino, eu a conheci de
um programa infantil da TV Itapoã, nas tardes de sábado, gente boa também, mas
depois ela se projetou mais e nos perdemos um do outro.
- E por que você não pode incluir um filho
seu nessa lista?
- Porque filho a gente tem que gostar por
obrigação natural; não faz parte de lista nenhuma – disse ítalo, pondo um fim.
Dando-se por esclarecido, ainda gritou:
terça-feira, 3 de março de 2026
Peleja de merda
A peleja entre o Xerife e o menino Jânio,
um bandido de golpes certeiros, ocorreu ao fim da tarde na Lagoa do Mocambo,
após o término da brincadeira proposta por Ítalo.
Os moleques caminhavam por ali bestando, até que avistaram em meio ao matagal uma palhoça abandonada, que serviria de
cadeia, onde colocar os bandidos. Chamaria Armando para figurar como Xerife,
que ele, Ítalo, o auxiliaria, combinado com os outros quatro meninos, que se espalhariam
para as trincheiras feito bandidos. Depois de umas buscas, esconde-escondes, iriam
ser caçados e presos. Não tardou para que todos fossem localizados e, com ordem
de prisão, seguissem para a cabana, onde só se ouvia o movimento dos patos e
marrecos na água, o cantarolar dos pássaros e o resto de silêncio de fim de
tarde.
Presos ao final, não tinham mais o que
fazer. Dava por encerrado o divertimento? Era o aconselhável, mas enquanto
pensavam, Ítalo se afastava para dar uma cagada na tranquilidade, agachado na
sombra de um pé-de-madeira-nova. Dali assuntava na conversa do Xerife:
- O que vamos fazer com esses bandidos,
Ítalo? Soltar?
Ítalo estava apreciando sua obra com um
pauzinho lambuzado e teve o estalo:
- Vou ficar ao lado da porta que você vai
abrir e chamar pelo nome de cada um.
Armando entendeu o gracejo, mas sem medir
a consequência de um desastre. E ele, com autoridade, chamava pelo apelido.
Assim, quando surgiu a ideia macabra de soltar os presos um a um, marcando-os com um pauzinho manchado de merda, Jânio, em vez de aceitar, negaceou o corpo, pegando nele, na boca. Este então se preparou para a briga e, como questão de honra, atacou Armando.
Sempre que passava por ali durante um passeio no final do expediente, admirava a beleza do lugar e um quadro no calçadão da lagoa onde ainda pareciam estar os dois meninos, frente a frente, congelados no momento, prontos para a peleja.
Armando como uma muralha e Jânio aguardando o sinal do gongo, com mosquitos circulando ao redor do ponto sujo de um queixo levantado em desafio.
Antes de escurecer por completo, o açoite do vento parecia dizer:
- Como é que é, sai ou não sai?
segunda-feira, 2 de março de 2026
Vitoria
No alto de uma ruazinha da ponta da
cidade, Ítalo desceu do carro, com sua bengala, e foi tomando pé do local observando
o casario em volta, até a esquina:
- Que casinha simples e bem feitinha,
Selmas! Tem placa de numeração, de nome do logradouro, numa parede
recém-pintada, mas... pombas! ... com placa de “Vende-se”!
- Você queria o quê? – indagou a mulher, que terminava de estacionar
o veículo. – O dono dessa casa recebeu da mulher o aviso, que eles estavam se
separando e que vendesse a casa e a moto, passasse a parte dela, que ela iria
pra S. Paulo com seu amante.
- Oxe, e pode assim? – estranhou ele, enquanto
se acomodava na sarjeta de uma padaria em frente.
- Esses meninos se casam e se separam ao
sabor da onda. De repente, “pintou um lance” e pronto; a responsabilidade que
se lixe: não existe compromisso - explicava Selmas, mais andeja que o
companheiro.
- E os filhos como ficam?
- Ficam.
- Essa não...
Ítalo
começou a imaginar. O jovem seria de Marte, de outra galáxia, seria? E quanto
aos meninos?
-
Afirmam que o pai, além de trabalhar, também dedica tempo para cuidar deles e
faz isso com muita competência. "Ele pelejou com ela, mas acabou
desistindo", explicou Selmas.
Percebendo
o interesse de Ítalo, continuou:
-
Ela ia para as festas e ele ficava em casa tomando conta do menino.
-
Então era desse jeito?
-
Era. A vizinhança se cansou de ver carro chegando tarde da noite, quando ela
voltava das festas com os amigos.
-
E ele não se queixava?
-
Ora, reclamava de quem fazia barulho, para não acordar a esposa.
- Passou os primeiros anos de casado
fazendo a casa, que é essa que teve que botar a venda para ter que partilhar
com essa mulher.
A dona da padaria se aproximou para atendimento
e, tendo assuntado na prosa do casal freguês, informou para encerrar:
- O nome da mulher dele, a gente brincava na
escola para desbancar, é Vitória, Vitória-Correu- cinco-léguas-e-cagou-cinco-toras”.
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Fetiche
Nele, que já não era mais um adolescente, o tesão aflorava de forma silenciosa. A propósito de qualquer particularidade, independentemente de tempo ou espaço. Como no momento em que avistou uma alvura no movimento das pernas da balconista. Nunca teve tanto valor para si como teve aquele lampejo. Era uma sacada, na linguagem moderna. Ou um clique íntimo para o fotógrafo, que ele carregaria para alimentar seu ego masculino. Interessante que, a considerar, era uma espécie de fetiche. Uma parte de tecido cor de goiaba encobrindo um palmo de perna branca com o poder de despertar para outro mundo. Ainda com essa vantagem, a de guardar em arquivo a pele clara sob o tecido delicado da saia.
Agora, sempre que se pretendia aceso, buscava na memória esse registro. E encontrava-o à sua disposição. Uma pequena concentração e pronto, o membro hígido realizando o aquecimento da mão em atividade. Que lhe deixava meio satisfeito por enquanto.
Era necessário permanecer nesse exercício. Não era possível ir além disso. Via agora o que acontecia nos bastidores, como se já tivesse superado essa etapa (garota da banheira). Como consequência, ia, na transitoriedade, buscando auxílio, quando surgia furtivamente o anseio, que se controlava. Como foi com a garota do pão. Ao sentir, preferiu dar só mais uma espiadela e, disfarçadamente, com a mão no bolso, retirar-se. De bom tamanho, levava a foto.
Também havia sido registrado, em um momento remoto, mas guardado em arquivo, um par de seios soltos à mostra em uma blusa entreaberta, assemelhando-se a duas peras desejosas de serem colhidas e suavemente mordidas.
Durante os primeiros dias de casado, ele, entusiasmado, compartilhou em um bar algumas particularidades da vida a dois, o que levou um senhor presente a comentar em particular: "É certo, mas pare com isso, meu filho, essas coisas ninguém sai por aí falando com ninguém não." Tal conselho muito lhe valeu pela vida a fora, mas nunca pôde calar o silêncio que levantava seu apetite sexual.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Tiana
Ítalo retornou de férias à cidade como se tivesse acabado de fazer um exame de vista, passando a enxergar melhor e sem admitir qualquer erro no uso do idioma. Ainda mais agora que havia descoberto uma coleção de clássicos em casa e começou a apreciar a linguagem de M. de Assis, que ressoava em seu íntimo como uma flauta doce, revelando novos significados.
Naquela época, não era surpreendente ver o garoto sempre com um livro na mão, mergulhado na exploração da coleção. Até se permitiu escrever versos no estilo soneto, como o que dedicou a Talita, expressando seu amor platônico. No entanto, antes disso, o garoto passou por uma fase um tanto radical em suas críticas, observando a maneira como os outros se expressavam:
-
“Para eu brincar”, você quis dizer, não é? – Ítalo corrigia a pessoa que
acabara de dizer “para mim brincar”. Não o fazia para se mostrar superior, mas para
deixar encaixado nele o aprendizado.
Mas,
com o tempo, o cara pegava a mania. E foi o que ocorreu com Ítalo, que acabou
perdendo uma despedida de namorado com uma garota que então se destacava e se
tornaria maior sensação depois. Era
Tiana, de pele morena bronzeada, que, montada em seu cavalo, parecia derramar
tinta sob seus cabelos negros, que esvoaçavam ao vento. Ao modo de rapaz, uma
amazona, montava muito bem e tinha lá seu charme com aqueles lábios grossos
dizendo qualquer coisa.
Enquanto
isso, Ítalo chegou ao ponto de dizer que era de perder o tesão de pessoas que
pronunciavam mal o português. Mas lambido o cabelo de lavanda marca Trim, ele
se lançava em busca de namoricos. Até que viu em Tiana um potencial a explorar:
-
Tomando um banho de loja lá em São Paulo, essa menina vai ser um estrondo – era o
comentário que começava a circular na cidade.
Tal
conversa vinha a propósito da presença dos irmãos de Tiana no funeral do velho
pai, que voltariam com ela para S. Paulo.
Quis
o destino que os dois se encontrassem e era para despedida daqueles dias de
ronda feita em torno da menina do cavalo. Mas nesse dia ela estava toda “pra-frentex”,
já enturmada com as gírias trazidas pelos irmãos naquele início da década de
setenta. Por isso que o que seria considerado “fofo” na voz de uma morena como
Tiana, Ítalo teve que terminar com a garota ali mesmo na hora que ela disse,
como que para reacender o papo, ela disse (viu sua voz sair da beleza dos
lábios grossos):
-
Amanhã eu vou se picar pra São Paulo!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Diva
Além de algumas ligações telefônicas,
exames laboratoriais, passagens ida e volta, caminhadas junto ao Ministério
Público e uma rodada de sorvete de coco em uma manhã ensolarada na avenida
principal, na verdade, não se podia considerar como despesa o resultado de uma
aventurazinha de juventude. Tudo começou com uma ligação recebida no local de
trabalho:
- Ela agora pergunta pelo pai, quer
saber como foi – dizia a mocinha que virou mãe, numa voz que vinha limpa de terra distante.
- Oxe, como foi como? Final de festa, ué – estranhou Ítalo numa posição defensiva.
- Não. Isso ela já sabe – raquetou a
mãe.
- Você estava com seu namorado – Ítalo devolveu
a bola.
- Mas não me deitei com aquele cachorro,
ela sabe também. Aí você vai ter que falar com a avó, minha mãe, que pôs na
cabecinha dela o que rolou na cidade, que é filha sua – arrebatou por fim a
garota daquela ocasião.
- Minha? – gritou Ítalo.
Subitamente,
ele, na posição que detinha na comunidade, com uma filha pré-adolescente
suposta. Um breve entusiasmo com a ideia a acompanhou por onde passava,
especialmente depois de ouvir a voz da menina pelo telefone.
-
Aquele dia eu dei uns conselhos a ela porque você me pediu.
-
É, eu sei. É que eu não tinha a quem recorrer nessas horas.
Nesse
dia falou como se fosse pai atencioso de uma criança, que acabou sossegadinha e
foi dormir, mas agora era uma mocinha.
Teve
que tomar providência. Primeiro, ajeitar passagens ida e volta e vagas num
hotel de classe, bem como exames de laboratório e caminhadas para o Ministério
Público. Depois, escalar tia Brenda para um sorvete de recepção numa lanchonete
decente.
- Por que eu?
- Uma pessoa amiga, né, tia? Você queria
que eu chamasse Selmas?
- E ela não sabe de nada?
- Sabe da conversa da época, superado, é
só, sem maiores riscos. Afinal, as
cabaças acabam se ajeitando.
- Mas você vai ter que mexer com isso
de novo, Ítalo.
- Perdeu o calor da coisa, tia –
tentava explicar. - Hoje se olha pelo retrovisor: eu era jovem e coisa e tal...
- Vocês homens...
- Você vai ficar um pouco para quebrar o
gelo, fazer a maciota, vamos dizer assim, que nós só nos falamos umas poucas
vezes e ainda assim por telefone – argumentava Ítalo.
Ela sorriu, mas, em troca, queria
informações sobre o caso. Então, houve a necessidade de recuperar da memória
distante imagens dele, ainda na frescura do caminho a seguir, tateante nas
aventuras das noites. E foi em um final de festa que decidiu tanger um garoto,
que devia lá ser o namoradinho dela, para dançar com algumas garotas já experimentadas:
- A gente passa em casa e curte um som
legal – era o chama.
Assim que colocou o disco na vitrola,
eles já estavam transando na cama. Ele adormeceu rapidamente, sem se recordar
da despedida com a amiguinha que esperava na sala.
- Depois, lá um dia, apareceu esse bebê
e a mãe, apertando a filha, contou com quem tinha saído.
- Já sei da história: seu nome estava
no meio - o cara, e foi fácil espalhar a notícia – disse e ficou contemplando
Ítalo. - Está bem, vamos aguardar –
confirmou tia Brenda, por fim.
Cumpriria
mais uma etapa. A próxima batalha seria travada no momento adequado, quando a
disposição dos astros fosse diferente. Por enquanto, ele optava por desfrutar
do papel de pai de uma garotinha, suspirando com uma expressão de preocupação.
Italo pesquisou o passado familiar e
descobriu que a razão para o divórcio de seu avô foi a mesma circunstância: ao
matricular na escola dos filhos uma menina que ele teve fora do matrimônio. Mas
suspirava aliviado ao constatar que o incidente ocorreu na década de cinquenta
e que novos tempos haviam chegado.
- Dizem que o exame é seguro, 99% de
certeza. É caro?
- É, mas existe desconto para o Ministério Público,
que tem convênio.
- E você espera positivo ou negativo?
- Na época eu não ia querer não, mas
agora estou mais preparado para me entender com Selmas e não acontecer o que
aconteceu com meu avô, né?
Nem por instantes lhe passou pela
cabeça um abalo na sua relação com Selmas. Uma nova versão, um remaker da
historia do seu avô? A batalha que tinha que enfrentar estava perto, que era
saber o resultado.
Ítalo
chegou cedo ao hotel para as orientações necessárias e até tomou café da manhã
com mãe e filha para se integrar. Foi combinado um passeio para tomar sorvete
mais tarde e, no dia seguinte, a ida à sede do Ministério Público para o lacre
da coleta de sangue com os técnicos de enfermagem.
Assim,
quando Ítalo se encontrou com a tia Brenda, já estavam próximos, e ele ajustou
um detalhe da blusa dela, tudo ocorreu de maneira ordenada, tanto que veio em
boa hora a ideia do sorvete.
-
O delas conforme pedido delas – explicava ao garçom o suposto pai. - O meu é de coco branco com pouco de coco
queimado.
O passeio acabou se estendendo pela cidade, quando teve a ousadia de repousar a cabeça no colo de Diva, sua filha, porque o exame a ser feito era mera formalidade.
No dia seguinte, após a realização do serviço de protocolo perante a autoridade do Ministério Público, que enviaria a amostra via SEDEX para Belo Horizonte, despediram-se da garota Diva sem que um fotógrafo estivesse presente para registrar a ocasião especial. Mas a tristeza maior veio tempo depois com abertura do lacre do resultado:
-
Ela chorou muito, ficou completamente frustrada – era a mãe. – Mas eu cansei de
falar que não era você. Mas foi você quem chamou para tirar a dúvida.
Após um assentar da poeira, Ítalo recebeu a
informação de que havia um outro namoradinho da mãe.
-
E aí vão acionar esse suposto pai?
-
Não.
-
Oxe, por quê?
-
Ele se mudou para o Estado do Mato Grosso. Também ela se retou e disse “Chega!
se não foi desta vez, não quero saber mais não”.
Ítalo,
que já tinha preparado seu discurso de maturidade e de presenteado, guardou consigo essa frustação de Diva, menina dócil mas inconsolável.