Marina
e Georgina
Ítalo buscava na memória seus namoricos de
1974 quando começava a se achar como protótipo de gente grande. Com relação a
umas duas garotas, precisava assentar a ideia. Mesma época mas ocasiões
diferentes. Marina e Georgina eram ambas gordinhas apreciáveis. Apresentou-se a
elas com destaque na camisa aberta ao peito, de forma que ninguém podia dizer
ter Ítalo apenas a idade de treze anos. Ambas provenientes de São Paulo, de
férias, em visita a uma tia.
Marina foi a primeira. Morena de pele
clara, com uma bela cabeleira escura e olhos igualmente expressivos. Andava bem
com o vigor da adolescência de Ítalo, que, em ajuda à estampa, num charme a
mais, usava uma fita na testa, contendo o avanço dos cabelos castanhos.
Principalmente quando na prática de esporte. Quando corria em comemoração ao gol,
que nem o jogador Fito do Bahia.
Com certeza, eles teriam dado algumas
voltas na pracinha de mãos dadas, conversado com o primo de Ítalo, que, de
bairro vizinho, de São Paulo, também estava ali a passeio. Depois um
retorno, à porta da casa da tia, que estava de bom tamanho. Guardava dela os
ternos beijos de lado, enquanto afastava os vastos cabelos com um gesto rápido
da mão.
De Georgina, o mesmo procedimento,
porém os lábios se destacavam imediatamente. O período foi mais breve, mas
também inesquecível, com cenas misturadas com as da outra garota.
- E para qual das duas você era mais
balançado? – quis saber Selmas ao lado.
- Confundo as duas.
- Você ainda não tem idade para isso.
Antes ele tinha treze. Cinquenta e tantos anos depois, com um AVC no currículo, ficou sem entender: certas passagens das garotas se confundiam.