Silencioso tesão
Nele, que já não era mais um adolescente,
o tesão aflorava de forma silenciosa. A propósito de qualquer particularidade,
independentemente de tempo ou espaço. Como no momento em que avistou uma alvura
no movimento das pernas da balconista. Nunca teve tanto valor para si como teve
aquele lampejo. Era uma sacada, na linguagem moderna. Ou um clique íntimo para
o fotógrafo, que ele carregaria para alimentar seu ego masculino. Ainda com
essa vantagem, a de guardar em arquivo a pele clara sob o tecido delicado da
saia. Agora, sempre que se pretendia aceso, buscava na memória esse registro. E
encontrava-o à sua disposição. Uma pequena concentração e pronto, o membro
hígido realizando o aquecimento da mão em atividade. Que lhe deixava meio
satisfeito por enquanto.
Era necessário permanecer nesse exercício.
Não era possível ir além disso. Via agora o que acontecia nos bastidores, como
se já tivesse superado essa etapa (garota da banheira). Como consequência, ia,
na transitoriedade, buscando auxílio, quando surgia furtivamente o anseio, que
se controlava. Como foi com a garota do pão. Ao sentir, preferiu dar só mais
uma espiadela e, disfarçadamente, com a mão no bolso, retirar-se. De bom
tamanho, levava a foto.
Também havia sido registrado, em um
momento remoto, mas guardado em arquivo, um par de seios soltos à mostra em uma
blusa entreaberta, assemelhando-se a duas peras desejando ser colhidas e
suavemente mordidas.
Durante os primeiros dias de casado, ele,
entusiasmado, compartilhou em um bar algumas particularidades da vida a dois, o
que levou um senhor presente a comentar em particular: "É certo, mas pare
com isso, meu filho, essas coisas ninguém sai por aí falando com ninguém
não." Tal conselho muito lhe valeu pela vida a fora, mas nunca pôde calar
o silêncio que levantava seu apetite sexual.
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